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37º ENAFIT - Sinait abre o Enafit com corrida contra a escravidão

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Evento foi realizado na manhã de domingo, 17, com largada no Parque da Sementeira, em Aracaju 

A 2ª Corrida Contra a Escravidão, realizada pelo Sinait, dentro da programação do 37º Encontro Nacional dos Auditores-Fiscais do Trabalho (Enafit) foi um sucesso e atraiu um público de aproximadamente 600 pessoas, que se dividiram entre atletas profissionais e amadores atentos e engajados na luta contra a escravidão contemporânea. A prática ainda existe em diversas regiões do Brasil e a ideia da realização do evento é conscientizar a população a respeito.

A corrida aconteceu pela primeira vez em Cuiabá, em 2018, e passou a fazer parte do encontro nacional da categoria. Aberto a Auditores-Fiscais do Trabalho e público geral, inclusive pessoas com deficiência, o evento esportivo conta com as categorias caminhada de 2,5 km e corridas de 5 km e 10 km, masculino e feminino.  

Priscila da Silva, estudante de Gestão de Recursos Humanos, corre há seis anos e se inscreveu para a corrida de 5 km. “Gosto muito de correr e achei interessante fazer uma coisa que eu gosto, ao mesmo tempo em que alerto as pessoas para a questão da escravidão, que é um assunto antigo, que ao contrário do que muitos pensam, nunca deixou de existir no nosso país”.

Outro corredor que participou da prova foi Bruno Vieira, que pratica o esporte há um ano e meio. O que começou por questões de saúde se transformou em rotina quase diária. Convidado por um amigo, que é Auditor-Fiscal do Trabalho, Bruno se sensibilizou com o tema de combate à escravidão proposto pelo Sinait. “Assim que a corrida entrou no site do Sindicato, fiz minha inscrição. É um tema muito atual, que, infelizmente, muitas vezes passa desapercebido pelo cidadão. As pessoas sempre pensam na questão da escravidão histórica e muitos não sabem que a prática continua existindo”, analisou.    

Já Silvan Santos, que corre há quinze anos, já venceu várias provas disputadas pelo Brasil e como estava lesionado preferiu correr 5 km, para poupar os joelhos, embora esteja acostumado a correr longas distâncias. Silvan ficou em 1º lugar na sua categoria e achou muito importante a iniciativa de uma corrida que chame a atenção para o tema da escravidão. “É uma novidade no nosso estado e fiz questão de participar, mesmo com certa dificuldade por causa da lesão. É um tema importante, que precisa tocar as pessoas”.

Glauber Santana, Auditor-Fiscal do Trabalho e membro da comissão organizadora do 37º Enafit, começou a correr há três meses com objetivo de se preparar para a prova. Pegou gosto e hoje completou o percurso de 5 km sem dificuldade. “Todo ser humano precisa lutar contra a escravidão. Estamos tendo e dando a outras pessoas a oportunidade de correr contra a escravidão e isso é muito importante”, disse.

Representando as Auditoras, a sergipana Marcela Tavares, que faz parte do Grupo Móvel de Fiscalização, venceu na categoria 5 km feminino. “A iniciativa da corrida contra a escravidão é muito importante, como eu participo do Grupo Móvel, não poderia ficar de fora porque além de estimular a atividade física entre profissionais e amadores, tem o tema que precisa ser debatido nos dias atuais”.

História de superação

José Raimundo Oliveira, morador da cidade de Simão Dias, distante 100 km de Aracaju, é pai de Ana Carolina e fez a prova de 10 km empurrando a filha, que tem autismo e paralisia cerebral. Ele conta que começou a correr para se exercitar e a partir de um tempo teve a ideia de levar a filha para as provas, numa tentativa de dar a ela mais qualidade de vida. Deu certo e hoje a atividade é um ótimo estímulo para a menina. “Posso dizer que a corrida foi um dos melhores tratamentos que já tentamos para a minha filha. Ela não gosta muito de ficar perto das pessoas e dentro do triciclo, ela consegue ficar horas sem reclamar. Ela curte muito a prova e o pós prova. Quando voltamos para casa, os mesmos problemas da pessoa com autismo voltam. Seria interessante passar mais tempo correndo com ela”.

Juntos, pai e filha já completaram mais de 50 provas, inclusive meias maratonas. A partir do sucesso com Ana Carolina, José Raimundo decidiu criar o projeto Pernas Amigas para transformar a vida de outras pessoas com deficiência. A ação está presente em Sergipe e na Bahia e conta com vários voluntários que são empurradores. Atualmente José Raimundo possui cinco triciclos como o que foi usado na 2ª corrida contra a escravidão. Além do Pernas Amigas, ele criou o Instituto Ana Carolina, que realiza palestras e debates em Simão Dias, Aracaju e outras cidades da região, com objetivo de conscientizar as pessoas para que prestem mais atenção às pessoas com deficiência, em especial, os autistas. 

Acesse os resultados aqui:

http://brlive.info/brlive/brlive-bsb1.html?f=resultados/aju/aju.escravidao.17112019.clax